5 dicas para ganhar velocidade na bateria!

Por Vlad Rocha

Muitos bateristas — entre alunos e conhecidos — me perguntam o segredo para ganhar velocidade na bateria. Por esse motivo decidi escrever este texto com alguns pontos importantes para desenvolver uma boa técnica no instrumento. Apesar de falar especificamente sobre bateria, acredito que estas dicas sirvam para qualquer instrumento.

Muita gente acha que existe uma “fórmula mágica”, que do dia para a noite irá fazer com que acordemos com as mãos do Cuca Teixeira e os pés do Max Kolesne. Mas a verdade é que isso não existe. Se não trabalharmos nossas habilidades dia após dia, elas não vão sair do lugar.

Então vamos começar!

ganhar velocidade na bateria

Dica 1: Estude lentamente.

Sim, é isso mesmo. Para desenvolver velocidade você PRECISA estudar os movimentos lentamente. E a explicação disso é muito simples. O corpo precisa se acostumar com o movimento correto, criando uma memória muscular adequada que permitirá que os movimentos, quando executados com maior velocidade, ocorram de forma mais natural. Se você já começa praticando os exercícios em um andamento mais rápido, o corpo ainda não “entendeu” exatamente o movimento que deveria fazer. E o que isso gera? Sonoridade ruim e engessada, e às vezes até lesões como tendinites. Cuidado!

Quando você pratica lentamente, faz seu corpo assimilar os movimentos necessários para executar os exercícios.

Repito: ESTUDE LENTAMENTE! Não importa o exercício

Dica 2: Acompanhe sua evolução com um metrônomo.

O metrônomo é um grande amigo dos músicos — PRINCIPALMENTE dos bateristas. Já que temos como principal função a de marcar o andamento, temos que desenvolver uma boa percepção de tempo. E isso também vale na hora de acompanhar nossa evolução em termos de ganhar velocidade na bateria. Utilizar um metrônomo na hora de praticar, além de melhorar sua noção de tempo, também servirá como referência de evolução.

Estude os exercícios em diferentes andamentos. Nunca se esqueça de ESTUDAR LENTAMENTE! Já disse! Em seguida, vá aumentando o andamento de 10 em 10 pontos, ou de 5 em 5 — dependendo do andamento utilizado. Se começamos a prática a 50 bpm, podemos subir de 10 em 10 (60, 70, 80). Ao chegar por volta de 80 bpm, sugiro ir aumentando de 5 em 5. Chegará um momento em que passaremos a aumentar apenas 2 bpm, e por fim apenas 1 bpm. Isso ocorrerá quando estivermos próximos do limite que conseguirmos atingir. Portanto, torne o metrônomo o seu melhor amigo. Hoje em dia é possível baixar no smartphone, iPads e afins aplicativos gratuitos que muitas vezes são o suficiente para o que você precisa.

Dica 3: Pratique diariamente.

Certa vez um aluno me perguntou: “Eu não tenho muitas horas vagas durante a semana. Se eu estudar muito no fim de semana, isso já será o suficiente para desenvolver uma boa habilidade?”. Bom, claro que um pouco de estudo já é melhor que nenhum estudo. Mas eu recomendo que pratique diariamente, mesmo que não tenha muito tempo. Separe sempre aquela meia horinha para manter a técnica em dia. Importante: claro que para todos os instrumentos existem muito mais aspectos a se trabalhar além do técnico, mas como o assunto aqui é velocidade, utilizarei este termo para me referir ao período de prática.

Vamos fazer um paralelo:

O que você acha que dará mais resultados?

Você ir a uma academia constantemente durante a semana, trabalhando a cada dia diferentes grupos musculares, fazendo exercícios aeróbios durante, digamos, 1h30min?

Ou acordar cedo no sábado, ir para a academia e ficar seis horas fazendo um monte de exercícios (sendo que durante a semana você nem sonhou em treinar)?

Ficou fácil a resposta, não?

Principalmente no caso da bateria, em que utilizamos muito o corpo, a prática constante é essencial para desenvolver velocidade. Portanto, organize uma rotina de estudos que envolva uma prática constante em pelo menos cinco dias na semana.

Dica 4: Conheça o seu limite e desafie-se sempre!

Vamos direto a uma comparação. Se você corre 10 km em 60 minutos e nunca tenta diminuir este tempo, nunca será mais rápido. Isso vale também para a bateria. Se você toca o paradiddle a 150 bpm e não tenta tocar a 151, não vai evoluir. Este é um ponto importante. Tenha um controle de “limites de andamento” para alguns dos principais rudimentos: toque simples, toque duplo, paradiddle, flams e drags.

Não precisa ter uma lista com todos os 40 rudimentos. Até porque, no final, eles acabam sendo combinações dos rudimentos que já citei (o paradiddle já é uma combinação de toques simples e duplos, mas para este é interessante ter um controle). Claro, anote os que achar mais importantes. Se deseja tocar o rulo de seis toques mais rápido, inclua-o no controle também. Faça isso igualmente com os pés, como para toques simples utilizando bumbo duplo.

E qual é o seu limite? Eu considero o limite o andamento máximo no qual conseguimos tocar de forma confortável, com tudo soando equilibrado e musical. Quando as coisas se tornarem desconfortáveis, significa que você está indo além do seu limite. Então, trabalhe sempre buscando evoluir 1 bpm acima do seu limite de conforto. Ou seja: para ganhar velocidade na bateria, trabalhe saindo da zona de conforto. Mas aumente sempre o metrônomo de 1 em 1 a partir daí. A evolução será muito mais natural.

PONTO IMPORTANTE: NÃO COMECE A PRÁTICA JÁ NO SEU LIMITE! AQUEÇA ANTES! (COMO EU JÁ DISSE E REPITO: PRATIQUE LENTAMENTE!).

Dica 5: Estou tocando mais rápido, e agora?

Muito bem, você está evoluindo e conseguiu ganhar velocidade na bateria. Embora eu tenha utilizado exemplos do mundo esportivo como comparação, nós tocamos um instrumento MUSICAL, e você precisa soar musical sempre. Tudo tem um contexto. Você não vai encher uma balada de fusas nos tom-toms. Muito menos sair fazendo semifusas no bumbo quando tocar uma bossa. A técnica é apenas um meio para um fim. Um domínio que nos permite executar alguma coisa sempre que desejarmos. Porém, temos de saber bem o que “desejar” dentro de determinado contexto. Em muitos casos — especialmente na música pop —, você não precisará dar demonstrações gratuitas de técnica. Precisará tocar no tempo, dentro do contexto musical, “suingando” no estilo e fazendo frases condizentes. Aí sua criatividade será o diferencial.

É legal ter um bom domínio técnico e ganhar velocidade na bateria? Sim! Mas é muito mais legal estar enquadrado em um contexto. Num baile você precisa manter as pessoas dançando. Elas não querem ver se você sabe fazer paradiddles triplos utilizando todos os tambores a 270 bpm. Tenha isso sempre em mente. Você terá oportunidades para “abrir sua caixa de ferramentas”. Aproveite-as bem!

livros importantes para tocar bateria, e que foram cruciais em minha formação como músico. Você pode encontrar alguns desses livros na Free Note.

Bons estudos e boa evolução!

Vlad Rocha

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