Música, amizades, evolução e inspiração!

Por Vlad Rocha

Nós, que escolhemos a música como forma de vida, temos uma coisa em comum: uma vontade incontrolável de ser melhor do que somos (que é sempre melhor do que ter vontade de ser melhor que o outro). Uma busca constante por evolução que muitas vezes nos tira o sono e que de certa forma nos faz sofrer, mas que é necessária para atingir nossa própria identidade enquanto “comunicadores musicais”.  É nesta eterna busca pelo nosso aprimoramento no instrumento que visamos “comunicar melhor” nossos sentimentos, nossas ideias e nossas motivações.

Apesar de ser uma trajetória solitária, contamos sempre com referências que nos ajudam a encontrar os melhores caminhos. Companheiros de trabalho que se preocupam — além da própria evolução — também com a evolução das pessoas queridas. Pessoas que elas querem ver bem e cada vez melhor em sua arte. Todos temos um imenso desejo de ser reconhecidos e de ganhar elogios. Isso também nos incentiva a melhorar (aqui vai um alerta: MUITO cuidado para não subir no salto alto e achar que “já está lá” ao receber elogios, porque assim deixaremos de evoluir—já passei por isso). Porém, são as críticas construtivas e os “toques” que nos fazem abrir os olhos para nossas limitações. Uma crítica construtiva bem colocada, como o próprio nome diz, só vai agregar conhecimento. Ninguém sabe tudo. Todos nós temos pontos fracos e que devem ser aprimorados. Os amigos de verdade irão dizer realmente do que você precisa. Algumas vezes nos enganamos achando que algo já está bem tocado, mas na verdade ainda não está. É importante saber ouvir e correr atrás, e estar abertos às opiniões alheias a nosso respeito é um grande passo para seguir em frente na espinhosa senda da evolução. Isso vale para qualquer atividade e qualquer profissão.

Portanto, se você gosta de alguém e essa pessoa te pede alguma opinião sobre algo… fale a real. Abra o jogo e conte realmente o que você achou. A sinceridade faz crescer. A falsidade, não. Você pode achar que está “ajudando” alguém omitindo algum detalhe e optando por fazer um elogio. Na verdade, você estará atrapalhando a evolução da pessoa, indiretamente. Sou eternamente grato por ter amigos (bem poucos) que falam a real e indicam o que devo aprimorar.

Recentemente fui assistir ao primeiro dia do Batuka! Brasil, com a participação do meu mestre, amigo, sócio (e que SEMPRE me fala a real sobre o que devo aprimorar — doendo ou não) Christiano Rocha; o baterista italiano Sergio Bellotti (um maluco que adorei ver tocando com seu duo CHANTaSONIC com o baixista — não menos maluco — Wes Wirth), um ótimo debate com Charles Gavin, Giba Favery e Vera Figueiredo; Dom Famularo (que sempre nos inspira!) e Maurício Leite (ao lado de Celso Pixinga no baixo e Mello Jr. na guitarra — o Time Out). Sem contar as pessoas bacanas que lá estavam e com quem pude conversar bastante!

Devido a uma série de fatores fazia algum tempo que não assistia a um evento de bateria, e saí de lá com uma vontade gigantesca de evoluir e me aprimorar no instrumento. Agradeço a todos os envolvidos por isso. Essa “chama” da inspiração é o que devemos sempre buscar passar a quem nos vê tocando. O melhor cachê que você pode receber é inspirar alguém a ter vontade de ser melhor do que ele é. (Claro, também não vamos sair por aí tocando de graça, né? Foi apenas modo de dizer!).

Estou feliz! Com vontade de evoluir, consertar meus pontos fracos e também com vontade de poder inspirar as pessoas! E você? Como está?

Até a próxima!