Reestudando o que já foi estudado

Por Vlad Rocha

No meu primeiro texto de 2018 para o blog do Ritmismo.com, gostaria de abordar uma situação pela qual venho passando recentemente. Estudei o livro Bateria Brasileira, do Christiano Rocha, orientado por ele inclusive, já há algum tempo. Consegui finalizar o livro. Desde o ano passado estamos preparando o curso do livro para o Ritmismo.com, no qual toco diversos exercícios.

Tive então a oportunidade e o prazer de reestudar o material com a finalidade de filmar algumas seções. E o que constatei? Além de não lembrar mais como tocar muita coisa, passei a observar o material sob outra ótica, mudando um pouco a forma de estudar o conteúdo. Lembro-me que quando estudei da primeira vez, praticava os exemplos diversas vezes seguidas, sempre com o olhar atento na partitura. Ao reestudar, busquei uma nova abordagem. Como deveríamos filmar um número específico de repetições de cada exemplo (normalmente oito vezes para compassos em 2 por 4 e quatro vezes para compassos em 3, 4 etc.), busquei estudar exatamente o número de repetições que deveria gravar, cuidando para que todos os compassos soassem muito parecidos, e com suingue. Também procurei incorporar os exemplos ao máximo, podendo fugir um pouco da partitura (confesso que isso não foi possível para todos os exemplos, mas já é alguma coisa). Assim, poderia gravar/filmar de forma mais natural.

Um detalhe que notei nesta “nova” forma de estudar o material foi que existem dois pontos cruciais que necessitam de maior atenção e concentração. O primeiro deles é no primeiro compasso, quando saímos do “repouso” e começamos a tocar. Escutar o click e sair tocando corretamente. Percebi que eu tinha uma propensão a executar o primeiro compasso de uma forma um pouco mais “oopaa, olha a casca de banana”, e depois o groove “assentava”. Isso ocorria principalmente em exemplos com andamentos mais lentos a médio-rápidos.

O segundo ponto-chave é o último compasso, quando finalizaria o take. Principalmente em exemplos com andamento mais rápido, o último compasso precisa ser executado com muita atenção. Além de podermos estar mais cansados (no meu caso, isso ocorre especialmente quando tem muita colcheia no chimbal com o pé esquerdo), temos também aquela coisa meio inconsciente do “tá acabando! Vou conseguir! É agora…” e ploft. Portanto, ao mudar minha maneira de estudar, percebi que só ficar tocando o exercício 487 vezes seguidas sem parar não era o único fator importante. Era necessário tocar poucas vezes, começando e terminando direito.

Com tudo isso em mente, pensei: “Existe tanta coisa que estudamos na vida e nunca mais consultamos, mas que poderíamos contemplar com um novo olhar”. Mais ou menos como assistir de novo a um filme cujo final já conhecemos, e procurar detalhes das pistas que a história dá para chegar a essa conclusão.

Minha dica então é que você pegue algum material que já estudou há tempos, coloque na estante de partitura e pense numa forma diferente de abordagem.

Em breve farei outro post dando dicas de materiais que já estudei (e que muita gente já estudou na vida) e que possibilitam diferentes abordagens bacanas para fins de estudo.

Valeu, pessoal! Feliz 2018 e até a próxima!